Hans-Joachim "Jochen" Marseille, nasceu em Berlin-Charlottens-burg, Alemanha, em 13 de dezembro de 1919, no seio de uma família de militares de ascendência francesa. Seu pai foi um oficial do exercito que alcançou o posto de general e lutou em Stalingrado. Apesar da família rigorosa, Marseille não era muito ligado a regras e disciplina mas mesmo assim se interessou pela aviação alemã e tornou-se piloto em fins de1938. Desde então a sua carreira foi meteórica. Entrou para a Luftwaffe aos dezoito anos e aos vinte e dois já estava morto, deixando em seu currículo uma série de façanhas inigualáveis, principalmente no teatro de operação no Norte da África.
Durante a Batalha da Inglaterra, Marseille conseguiu sua primeira vitória em 24/08/1940 diante de um caça Hurricane da RAF (Royal Air Force). Ao todo, ele alcançou sete vitórias neste teatro e foi obrigado a abandonar seu caça Bf-109E por seis vezes, justamente por sua indisciplina e o prazer pela caça solitária, violando constantemente a doutrina de combate aéreo e da proteção entre os alas/esquadrilha.Marseille foi transferido para Berlim no término da Batalha da Inglaterra e em 21/04/1941 chegou ao norte da África pela 3/JG27, sua nova unidade, no intuito do apoio aéreo ao "Africa Korps" de Rommel.
A partir desta data, o Bf-109 "14 amarelo" era o avião mais temível pelo aliados e a sua pontaria e a sua perícia em tiros de deflexão jamais seria igualável por outro piloto. Os mecânicos de armamento da Luftwaffe naquele teatro de operações constatavam com freqüência cofres semi-usados, apesar dos múltiplos resultados positivos alcançados por Marseille em suas missões, chegando a uma incrível marca de 15 cartuchos para cada avião abatido! Esta é uma marca incrível pois li recentemente que os P40 ingleses que atuavam na África tinham uma média de 300 cartuchos ou mais para cada avião derrubado.
Sua técnica começou a ficar aguçada e Marseille explorava seu BF ao máximo. Em alguns ataques chegava a abater quatro, cinco e até oito aeronaves numa única surtida. Seus movimentos eram tão rápidos que era comum os pilotos aliados pensarem que estavam sendo atacados por uma grande formação de caças!
Marseille conseguiu quebrar a tática do círculo de proteção que os aliados montavam em casos de ataque contra às suas formações. Os aviões aliados montavam um círculo de várias aeronaves e qualquer avião inimigo que entrasse no encalço de um dos aviões ficava na mira de pelo menos uma das aeronaves, principalmente as que possuiam artilheiro na cauda ou do dorso. Como ele fazia isso? Eis a resposta: Marseile começava a alguns milhares de pés acima do círculo e afastado lateralmente cerca de uma milha, então mergulhava por baixo da formação e atacava por alí. Ele alinhava seu avião e disparava uma curta e rajada de metralhadoras e canhões, normalmente atingindo o motor, o cockpit e quase sempre o piloto. Após, ele saía em um mergulho e se afastava em segurança retornando ao ponto inicial para um novo ataque.
Em 1º de setembro de 1942 durante a batalla de Alam El Halfa, Marseille atingiu o auge de sua carreira derrubando dezessete aviões inimigos em três missões de combate! Todas as missões foram de escolta e cairam em suas mãos aviões como P-40 e Spitfire ingleses. As ações eram tão rápidas que não davam tempo do ala de Marseille anotar as posições onde os aviões aliados foram derrubados!
Na primeira missão Marseille derrubou 4 aviões havendo disparado apenas 20 projéteis de canhão e 60 de metralhadora. Na segunda missão, foram oito aviões em apenas dez minutos: às 10:55; 10:56, 10:58, 10:59, 11:01, 11:02, 11:03 e 11:05. Na última missão do dia, a ação mortal de Marseille durou apenas seis minutos para aniquilar cinco aviões ingleses. Os quatro primeiros caíram a intervalos de um minuto entre eles, das 17:45 às 17:50 e o último às 17:53.
Dois dias depois, após conquistar sua 126ª vitória, Marseille foi promovido e condecorado, tornando-se aos 22 anos de idade, o mais jovem Capitão da Luftwaffe e o quarto homem em toda força alemã a ser agraciado com a mais alta condecoração militar alemã, os diamantes da cruz de cavaleiro.
Marseille possuía uma visão de falcão e conseguia se posicionar antecipadamente ao inimigo, até mesmo antes de sua esquadrilha notar a presença. Nem mesmo seu ala conseguia o acompanhar pois Marseille usava ao máximo os flaps e a velocidade baixa para fechar as curvas e manter seu Bf-109 sempre atrás e abaixo do inimigo.
Porém, durante as últimas semanas, Marseille começou a mostrar sintomas de esgotamento devido às exaustivas missões que o obrigavam a voar, duas a três vezes por dia. A tensão de um ano e meio de combate ininterruptos mostrava seus efeitos.
Após uma missão de escolta de Stukas em 30/09/1942, Marseille avisa a sua esquadrilha que tem fumaça entrando em seu cockpit e que começa a dificultar sua visibilidade e respiração. Por alguns minutos segurou a dificuldade até que não teve outra opção a não ser saltar pois já estava sobre território alemão, podendo ser resgatado posteriormente. Apesar de manobrar o avião para o salto, Marseille, provavelmente sofrendo de uma desorientação espacial possivelmente por estar intoxicado pela fumaça, não percebe que entra em mergulho invertido e ao sair do cockpit bate o lado esquerdo de seu peito na cauda do avião, matando-o instantaneamente ou incapacitando-o de qualquer tentativa de abrir seu pára-quedas. Todos da esquadrilha observam horrorizados a cena! Seus colegas de esquadrão ficaram tão abatidos com sua morte que o grupo inteiro foi afastado das operações por quase um mês. Tempos depois o emblema do I/JG27 foi alterado, recebendo uma borda cinza escuro com os seguintes dizeres "Staffel Marseille" (Esquadrão de Marseille).
Tendo participado de mais de 388 missões de combate, obteve um total de 158 vitórias confirmadas, sendo 151 conquistadas no período de apenas 18 meses em que esteve no deserto, lutando contra os pilotos da DAF (Força Aérea do Deserto). Nenhum outro piloto conse guiu tantas vitórias na frente ocidental quanto Marseille. No total foram 101 P-40, 30 Hurricane, 16 Spitfire e 4 bombardeiros bimotores ingleses.
Hoje no Brasil existe uma grande homenagem a esse grande piloto... basta conhecer o Museu da TAM (SP) e apreciar a réplica do BF-109 utilizado por Marseille. Abaixo algumas fotos que tirei em Março de 2007:


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