Esta semana eu estava lembrando de como os alemães realizaram pesquisas na época da 2ª Guerra Mundial. Vários projetos foram pioneiros na tecnologia e na aviação como o motor do Me109 sem carburador e movido a injeção direta, as bombas V1 e V2 com giroscópios, utilização de bombas guiadas, propelentes sólidos, aviões malucos e etc. Foi aí que eu lembrei da "Pulga", ou mais conhecido como Me163 Komet.O Me163 Komet foi desenvolvido para ser um planador motorizado para interceptação rápida e praticamente acima da sua base ou região. Era um avião muito além do seu tempo e o seu projeto foi cheio de problemas, testes e interrupções temporárias (as datas iniciais são de 1926 e apenas em maio de 1944 é que entrou em serviço). A estrutura de planador foi alterada e fortalecida para receber um motor foguete movido a reagentes muito instáveis como o T-Stoff (Peróxido de Hidrogênio) e C-Stoff (Hidrato de Hidrazina em metanol) além do armamento de 2 canhões de 30mm com 60 cartuchos cada.
Os reagentes eram consumidos em poucos minutos devido ao alto consumo do motor (a autonomia era de no máximo 100Km) que auxiliavam na decolagem rápida do aparelho em uma razão de subida de mais de 3km/minuto e em um ângulo de 80º. O restante do combustível após a decolagem proporcionava 8 minutos de combate contra os bombardeiros B-17 que atacavam o coração da Alemanha. Normalmente o Komet subia até 12.000 metros e desligava o motor, planando a procura das aeronaves invasoras. Ao avistar a concentração de bombardeiros, o piloto ligava o foguete e partia em um mergulho leve para "rasgar" a esquadrilha com os seus canhões. O problema era ter a pontaria certa já que o avião era muito rápido e o mergulho nem sempre era fácil de se controlar, podendo chegar a um pouco mais de 1.000 Km/h.
Li certa vez que mais de 90% das perdas dos Komet foram em acidentes. Vamos aos porquês...
1) O Me163 corria para a decolagem em cima de um carrinho removível com rodas e sem amortecedor. Se a pista não fosse completamente lisa o piloto poderia ter sérios problemas na coluna como ocorreu com o seu principal piloto de testes (Heini Dittmar) sem contar que no final da corrida o avião teria que soltar o carrinho de rodas, através de uma alavanca, fazendo com que o mesmo quicasse no chão como uma bola, correndo o risco dele voltar contra o avião e perfurar o tanque dos reagentes, fazendo com que a cabine fosse invadida com gases tóxicos.2) O pouso era feito planado em cima de um único esqui central, podendo o avião derrapar ou capotar na pista. Certos acidentes ocorriam e, ao capotar, o restante dos reagentes nos tanques poderia vazar causando queimaduras graves ao piloto.
3) Na decolagem os tanques eram ligados separadamente, primeiro o que continha o reagente "T" e depois o tipo "C", que combinava-se automaticamente, toda a operação ocorrendo em altas pressões para conter a liberação gasosa que poderia explodir o interceptador.
4) O propulsor tratava-se de uma aparelhagem delicada e a única câmara de combustão tinha que ser lavada com água corrente antes da decolagem para retirar os restos de T-stoff e C-stoff.
5) A capota com duas janelas laterais e uma na frente de Plexiglas era frágil podendo não resistir ao impacto de estilhaços ou mesmo de alguns pássaros. O assento não era ejetável, o que impossibilitava o abandono do aparelho em altas velocidades.
Embora as dificuldades existentes, os jovens pilotos eram treinados em planadores do Me 163 e depois de muito treino é que eles podiam voar em artefatos motorizados. A primeira unidade a operar o Komet foi o I/JG400 comandada por Robert Olejnik a partir do final de julho de 1944. A primeira interceptação ocorreu no dia 28 daquele mês. Nenhum bombardeiro foi abatido, em razão da alta velocidade de aproximação, à qual os pilotos não estavam acostumados. Porém, ao que parece, no total os Komets obtiveram 13 vitórias confirmadas, mas 11 Me 163 foram perdidos em ação, seja em acidentes ou abatidos enquanto planavam para aterrissar.
Paralelamente, foi desenvolvida uma nova arma, o canhão SG 500. Este foi instalado na superfície superior do Komet juntamente com células foto-sensíveis. O armamento funcionava da seguinte forma: o Komet fazia a corrida de ataque contra um bombardeiro e quando passava por baixo deste, as células captavam a diferença de luz e disparavam dez artefatos de 50mm na vertical para cima. Esta arma foi usada apenas uma vez, pelo Leutnant Fritz Kelb, em 10 de abril de 1945 contra um bombardeiro Halifax da RAF (Royal Air Force).
Como parte da aliança dos Alemães com os Japoneses, também existiram versões do Me163 para a força aérea e para a marinha nipônica. Eles foram designados como treinadores, caças e interceptadores usando o nome de Mitsubishi Ki-200 Shusui e Mitsubishi J8M1, ambos com 2 canhões de 30 mm Ho 155.
Quando foi assinado o armistício tinham sido construídos 364 Me 163, mas a maioria destes não estava operacional devido aos inúmeros acidentes. Com o término do conflito, várias dessas revolucionárias aeronaves estavam em mãos aliadas. Algumas foram levadas aos Estados Unidos e serviram de base para o projeto "X", cujo aparelho X-1, sob comando de Charles "Chuck" Yeager foi o primeiro aparelho a quebrar a barreira do som no dia 14 de outubro de 1947.
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