sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Destruidor de Zeros

Este é meu primeiro post. Não sei se utilizarei uma linguagem boa ou correta para blog mas aos poucos vou me adaptando. A minha intensão aqui é trocar informações com pessoas que respiram aviação e se interessam em combates aéreos, batalhas, táticas e tipos de aviões utilizados durante os conflitos da 2ª Guerra Mundial em diante. Minha esposa Sandy e meu amigo Horácio me deram força para começar a escrever e tomei a decisão depois de assistir "ao sei lá que número de vezes" o programa "Combates Aéreos" que passa todas às quintas, 21h, no canal The History Channel. Logo este blogger leva o mesmo nome. Bem, vamos lá...

Durante a 2ª Guerra Mundial, especificamente no teatro do Pacífico, uma aeronave dominava os céus e as batalhas aéreas desde 1940. Esta aeronave possuia uma razão de subida excelente, raio de curva formidável e um alcance jamais visto. Fruto do empenho da indústria japonesa nasceu o Mitsubushi A6M2 Zero, ou Zeke, e até o final de 1943 a palavra derrota não existia para os que o pilotavam.

Porém, esta fase de sucessos estava chegando ao fim. No final de 1942 um Zero quase intacto foi recuperado nas Ilhas Aleutas e enviado à sede da Grumman nos EUA. Os técnicos americanos estudaram a aeronave e avaliaram seus pontos fracos e fortes. A partir desses resultados a Grumman criou o F6F Hellcat e assim as melhores táticas de combate contra o Zero. Este foi o primeiro caça embarcado americano com uma especialidade: destruir Zeros.

Vários aviões aliados seguraram a barra nos comabtes aéreos com os Zeros no Pacífico. P40 Tomahawk e Kittyhawk, P39 Airacobra, Spitfires e outros, cada um com a sua peculiaridade e estratégia de ataque, normalmente entrando em um mergulho forte bem do alto sobre o Zero e fugindo com 100% da potência do motor. Enfrentar de igual para igual o caça nipônico era esperar a morte na certa. Os pesados, porém blindados, P40 (Exército e Força Aérea) e os F4F Wildcat (Marinha) não podiam encarar um dogfight cerrado com o Zero pois este era mais leve e muito mais manobrável.

Infelizmente o Zero possuia um problema muito sério nos ailerons quando entrava em mergulhos acentuados, tornando o avião instável e pronto para o abate. Outros pontos negativos eram a falta de rádio devido ao peso e a má qualidade, nenhuma blindagem e tanques de combustível não auto-vedantes. Bastavam apenas poucos projéteis no tanque de combustível e o Zero virava uma bola de fogo. A busca do menor peso e da maior agilidade teve um preço muito alto para esta grande aeronave.


Em posse dessas informações e um novo avião com motor de 18 cilindros, 2200HP de potência e 6 metralhadoras .50, O F6F Hellcat entrou em serviço no final de 1943 embarcado nos porta-aviões da marinha americana. Os pilotos agora possuiam um avião manobrável, blindado, bem armado, com ótima razão de subida e grande desempenho em curvas e mergulhos. Restava agora apenas o momento para iniciar o combate entre as melhores aeronaves das marinhas envolvidas na guerra do Pacífico.


Se não me engano, antes do Natal de 1943, ocorreu a primeira vítima dos Hellcat em uma patrulha aérea. Quem foi abatido com uma rajada certeira? Um Zero! Daí em diante os pilotos da marinha americana começaram a vingar os Wildcats e durante as batalhas sobre a conquista de Rabaul diversos Zeros, Kates, Oscars e outros aviões nipônicos cairam diante do fogo das .50 dos Hellcat. (Abri um espaço aqui para postar o link do primeiro às do Hellcat em 19 de Novembro de 1943 - Hamilton McWhorter. Belíssima ilustração em: http://www.oldgloryprints.com/First%20Hellcat%20Ace.htm)

Os pilotos dos Zeros ainda sem saber do novo avião americano, continuavam a realizar táticas achando que os oponentes eram os fracos, porém valentes, Wildcats (realmente o F4F era um pouco parecido com o F6F). Uma das táticas era subir em um looping aberto e bem alto pois os Wildcats não tinham potência suficiente para acompanhar. Os Wildcats entravam em estol no meio da manobra e bastava então ao piloto japonês completar o looping e pegar o Wildcat caindo em espiral, abatendo-o com o fogo das 2 metralhadoras 7.7mm e dos 2 canhões de 20mm.

Só que agora era diferente. Os Hellcats acompanhavam as manobras e completavam o circuito do looping. Além disso podiam fazer curvas fechadas e aguentar o fogo das metralhadoras dos Zeros devido a blindagem em volta da cabine e principalmente atrás do piloto. Diversos Zeros cairam dos céus do Pacífico pois agora o dogfight estava de igual para igual. Definitivamente o Hellcat mudou o cenário dos combates aéreos no Pacífico e destronou os Zeros no domínio dos céus.

Recentemente li que existem relatos de que a proporção de vitórias entre os Hellcats e Zero era de 19:1, ainda mais se levarmos em consideração que a marinha japonesa vinha perdendo seus melhores pilotos em combates desde 1942 (principalmente após a batalha de Midway) e não teve tempo suficiente para treinar os novos pilotos. A marinha japonesa bem que tentou criar e produzir versões mais novas do Zero mais já era tarde demais até porque o Japão sofria com a falta de matéria-prima e posteriormente com a queda na indústria e nas reservas de combustível.

Durante o conflito do Pacífico, os Hellcats destruiram mais de 3000 aviões japoneses e os americanos tiveram mais de 300 pilotos com mais de 5 vitórias.

Poucos conseguiram sair da linha de tiro dos Hellcats e um deles foi Saburo Sakai, ás japonês com 80 vitórias. Em um dos confrontos ele se viu entre uma esquadrilha de Hellcats pois sem querer confundiu a estrela da marinha americana pintada na fuselagem com o desenho do sol nascente! Isso mesmo... Sakai tinha problema de visão quando ele se viu entre 16 Hellcats só pensou em uma única saída... fuga rápida e muito exaustiva, quebrando sempre para a esquerda, até chegar na base mais próxima. Mas isso é papo para outro post.

Até breve.

2 comentários:

ARE disse...

Na verdade Sakai escapou dos Hellcats, abatendo 3 ou 4 se bem me lembro da história.
Pode ser encontrada acho que em www.skbrasil.com.br

ManNeto disse...

Na verdade foram quatro André, sobre Iwojima.